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O desenvolvimento de um profissional de contabilidade no Brasil

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Contabilidade no Brasil: De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, em 2015 o Brasil registrou 536.655 profissionais (347.533 contadores e 189.122 técnicos em contabilidade). Em 2004, data do primeiro registro, eram 359.019.

 

O crescimento no número de profissionais somando nesses 11 anos revela uma tendência para o crescente mercado. Junto dela, nasce uma nova preocupação. Estariam esses profissionais preparados para exercer todas as demandas do país?

 

Educação em Finanças no Brasil

 

O país adotou, em 2010, as Normas e Padrões Internacionais de Contabilidade (IFRS) com base na Lei 11.637/07 e instrução da CVM e desde então a contabilidade brasileira foi legalmente impulsionada.

 

No mesmo ano, foi instituído pela Lei n.º 12249/10 o Exame de Suficiência, obrigatório para bacharéis em Ciências Contábeis e técnicos em contabilidade. Ele resultou em uma unificação da profissão contábil no Brasil, fortalecendo a qualidade e reputação da profissão.

 

Exame de Suficiência

 

A instituição da Lei 12.249/10 veio para garantir a competência técnica dos profissionais atuando em toda esfera contábil no país, incluindo essa nova exigência das normas internacionais. “O Exame de Suficiência exige conhecimentos de várias áreas de contabilidade, conforme detalhado no edital para cada prova.

 

É evidente que existe um foco grande no conhecimento profundo das normas internacionais”, observa Pamela Kingston, Fellow of the Association of Cartered Certified Accountants (FCCA), controladora e gerente de planejamento financeiro, contabilidade, projetos SAP e pensões com mais de 20 anos de experiência profissional no Brasil.

 

Com seu conteúdo listado no edital de cada prova, o Exame de Suficiência conscientiza o profissional sobre suas responsabilidades em termos de conhecimento técnico e ética perante o trabalho de um contador.

 

“Ele chega para aprimorar a qualidade da preparação dos contadores, no meu ponto de vista.  É, no entanto, mais uma confirmação de conhecimento de grau de licenciatura do que conhecimento de nível de mestrado, que pode ser adquirido através de qualificações como a ACCA (Association of Chartered Certified Accountants), equivalente a um mestrado no Reino Unido, e indispensável na formação do profissional”, conclui a profissional.

 

Qualificação profissional

 

Ainda no que diz respeito à qualificação profissional de Finanças no Brasil, um novo passo foi iniciado neste ano. A universidade FGV (Fundação Getúlio Vargas) introduziu no seu currículo o Mestrado Profissional em Gestão para a Competitividade com Ênfase em Finanças e Controladoria, uma parceria com a ACCA que permite a combinação do mestrado com o conteúdo de uma qualificação profissional internacional.

 

A qualificação internacional está dentre as proficiências exigidas na carreira de um profissional de auditoria na PwC, por exemplo.

 

O plano de carreira de um profissional típico da empresa sintetiza e ilustra as expectativas do mercado em relação ao profissional de Finanças também no Brasil: Graduação completa em contabilidade; Exame de Suficiência; Estudo do inglês; Curso de pós-graduação e/ou uma qualificação profissional como a CFA (Chartered Financial Analyst), CPA (Certified Public Accountant), ou ACCA, atualmente introduzida.

 

Buracos

 

Apesar do avanço no que diz respeito à profissionalização e qualificação da área de Finanças no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer. Anthony McCarthy, FCCA, proprietário da Sarum Management Financial Consulting Services Ltda. e professor da SHP Financial Training, acredita que certos princípios contábeis na formação profissional ainda não recebem a devida ênfase no país.

 

Segundo ele, vários profissionais apresentam dificuldades na adoção de alguns princípios contábeis universais como o conceito de competências, o chamado accruals concept e o conceito de vinculação dos custos com receita e vinculação de certos ativos com passivos de mesma natureza, o chamado matching concept.

 

Segundo ele, o uso desses dois conceitos aprimora bastante a apresentação das demonstrações financeiras para o gestor tomar decisões. “Esses são problemas de longo prazo inclusive em várias empresas multinacionais que eu auditei. Vemos hoje princípios baseados em contabilidade, mas a educação de graduados e contadores existentes em empresas não está alinhada”, afirma.

 

Outro buraco na qualificação, segundo o especialista, está no uso da tecnologia para integração e compartilhamento de informações.

 

McCarthy afirma que embora em termos de Tecnologia de Informação (TI) o segmento de Finanças do Brasil seja muito avançado em relação a muitos países, a interação e uso da tecnologia são limitados à medida que os novos profissionais não possuem conhecimento necessário para utilizar dessas tecnologias, como acontece na Europa.

 

“Há 20 anos, contadores talentosos sabiam tributação e leis, mas pouco de TI, e isso possivelmente ainda é aplicável aos novos profissionais. Ao mesmo tempo, muito poucas empresas possuem um gerente de TI que entende os conceitos de contabilidade aplicados nos sistemas utilizados na companhia”, observa.

 

Ele cita a implementação do Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERPs) nas companhias brasileiras. “O desenvolvimento não procurou integrar e personalizar os ERPs às necessidades contábeis, uma vez que ambas as competências não são comumente compartilhadas pelos indivíduos na medida em que um mercado evoluiu para ERP estrangeiros localmente adaptados.

 

Na minha opinião, contadores de TI treinados teriam produzido um avanço para melhorar os sistemas de contabilidade hoje”, exemplifica.

 

Outras competências

 

Considerando que a contabilidade é uma profissão em constante desenvolvimento, em adição às competências já discutidas, o Brasil envolve um cenário de corrupção e recessão econômica que exige outras competências ao profissional de Finanças:

“É muito importante para o contador entender gestão de custos, governança corporativa, prevenção de fraudes e gerenciamento de riscos. Um profissional de contabilidade treinado globalmente através de ACCA, por exemplo, compreenderá o negócio e seus ciclos e pode ajudar o CEO e pisar dentro a essa posição com pouco treinamento extra”, salienta McCarthy.

 

Ele cita ainda a proficiência em língua inglesa como uma necessidade para nivelar o conhecimento do profissional formado no Brasil: “os manuais da Contabilidade Internacional e os manuais de TI não são vistos em português o que implica que profissionais que não sejam bilíngues terão menos probabilidade de estar cientes desses conceitos e dessas tecnologias”.

 

Conclusão

 

Desde a adoção das Normas e Padrões Internacionais de Contabilidade (IFRS) e a instituição do Exame de Suficiência, ambos em 2010, muita coisa mudou na dinâmica do profissional de Finanças do Brasil.

 

Apesar de significarem um grande passo rumo à profissionalização de Finanças no país, eles não excluem, mas reforçam, a necessidade da adesão de parâmetros internacionais guiados por importantes qualificações profissionais como o CFA e o ACCA, por parte da educação de Finanças no Brasil.

 

Fontes

http://www.abordin.com.br/opiniao/ifrs.php

http://www.fecap.br/adm_online/art0503/art5034.pdf

http://www.classecontabil.com.br/artigos/desafios-e-perspectivas-para-a-profissao-contabil

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901979000200007

http://www.portalcfc.org.br/noticia.php?new=13912

http://www.ifrs.org/Use-around-the-world/Documents/Jurisdiction-profiles/Brazil-IFRS-Profile.pdf

http://cfc.org.br/wp-content/uploads/2016/06/Edital_Exame_2_2016.pdf

http://www3.cfc.org.br/spw/crcs/ConselhoRegionalAtivo.aspx

http://cfc.org.br/registro/quantos-somos-2/

http://www.fecap.br/adm_online/art0503/art5034.pdf[/vc_column_text][vc_empty_space height=”8px”][vc_empty_space height=”40px”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row]